...O Flamengo no mundo.
No último artigo, escrevi a respeito de minha ida ao estádio do Maracanã em 1995, há quase doze anos. Agora, volto ao mesmo local, no tempo presente. Tive que voltar a freqüentar o estádio, após uma indesculpável ausência de anos, por razões óbvias: como poderia alguém como eu, um amante do futebol, não estar de quando em vez em seu maior templo, que fica localizado justamente na minha própria e amada cidade? Nem todo mundo possui um privilégio como este, pensei eu, dando-me conta de que, atualmente, posso me dar ao luxo de pagar a entrada e assistir a uma partida do Flamengo.
E não poderia haver ocasião mais propícia: a final do campeonato estadual de 2007. Na verdade, a minha volta ao Maracanã não foi motivada pela final; ocorreu algumas semanas antes, quando estive presente ao jogo Vasco x Botafogo, na tentativa de ver o milésimo gol de Romário. Mas isso é assunto para outro artigo. Foi nesse jogo, porém, que tive saudades de ver meu Mengão novamente, ao vivo, in loco.
Uma coisa é assistir a um jogo pela televisão; outra, completamente diferente, é assistir a um jogo num estádio como o Maracanã, com toda a mística que o gigante monumental exibe após décadas de grandes lances e de grandes gols. E a final seria uma oportunidade enorme de me reconciliar com o Rubro-negro: time campeão por vocação; de torcida imensa, popular, diversificada. Existe uma massa Rubro-negra? Diria que existe uma nação Rubro-negra. Nação esta sem Estado, pós-moderna, na qual se confundem sotaques e etnias, classes sociais e idades distintas. Flamengo de Leônidas, Dida, Zico, Sávio. Flamengo campeão do mundo em 1982, com Leandro, Júnior, Andrade, Adílio e Nunes. Flamengo campeão do mundo em 1994, com Aldair, Jorginho, Leonardo, Zinho e Bebeto. Flamengo de todos os tempos, de todos os templos, de todos os títulos.
Flamengo, até então, 28 vezes campeão carioca. Até então, pois agora já são 29 títulos estaduais, além dos cinco brasileiros, dois da Copa do Brasil, uma Copa Libertadores, um Mundial Interclubes e tantos outros... Flamengo guerreiro, combativo até o fim. Flamengo limitado, superando-se contra a ¿vedete¿ do campeonato. É impressionante como os críticos e a imprensa em geral encantaram-se com o time do Botafogo. Tenho a impressão de que não assistiram ao primeiro turno do estadual. Havia um equilíbrio em campo: se, por um lado, o Botafogo exibia um futebol mais "atraente", o Flamengo mostrou-se um time brioso, lutando pelo título até o fim do segundo jogo. Nada de entregar os pontos; nada de render-se antes da hora; nada de admitir a impossibilidade de gols de um ataque mais fraco e desfalcado. Nunca pensei que escreveria isso: mas Obina anda fazendo falta.
A verdade é que o Flamengo precisa de um ataque melhor. A verdade é que o Flamengo possui também, assim como o Botafogo de Dodô e Lucio Flavio, jogadores que podem fazer a diferença: Renato e Renato Augusto. Eu estava lá, vendo a primeira partida da final, torcendo pelo Mengão, ao vivo, após mais de uma década. Eu estava aqui, vendo a segunda partida pela televisão, torcendo pelo Mengão, como sempre. Sabia que tínhamos grandes possibilidades de obter mais este título. Também sabia que não seria fácil. Dois jogos emocionantes. Dois placares idênticos: 2 x 2. Dois pênaltis defendidos pelo goleiro Rubro-negro Bruno.
Enfim, eu teria um desgosto profundo se faltasse o Flamengo no mundo...
Pablo Laignier.
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